O Ministério da Educação (MEC) publicou a Portaria nº 704 em 17 de outubro,
implementando significativas alterações no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) que
entrarão em vigor a partir da edição de 2026. As mudanças impactam a validade das
notas do ENEM, a ordem de preenchimento das cotas e o processo para vagas
remanescentes.
As novas regras do Sisu
1. Notas válidas do ENEM (Múltiplas edições)
Uma das alterações mais importantes é a validade estendida da nota do Exame
Nacional do Ensino Médio (ENEM). Agora, o candidato poderá utilizar a pontuação
das três últimas edições (por exemplo, 2023, 2024 e 2025 para o Sisu 2026). O
sistema considerará automaticamente a melhor média obtida pelo estudante dentre
essas três provas válidas.
2. Nova ordem de distribuição das cotas
O sistema de cotas foi reordenado para garantir que as vagas reservadas sejam
preenchidas integralmente e prioritariamente antes de serem destinadas à Ampla
Concorrência. A nova ordem de redistribuição de vagas segue esta sequência:
- LB_PPI: Pretos, pardos e indígenas de baixa renda;
- LB_Q: Quilombolas egressos de escolas públicas de baixa renda;
- LB_PCD: Pessoas com deficiência (PcD) de baixa renda;
- LB_EP: Estudantes de escolas públicas do campo de baixa renda;
- LI_PPI: Demais autodeclarados pretos, pardos, indígenas ou quilombolas,
sem critério de renda; - LI_Q: Quilombolas egressos de escolas públicas, sem critério de renda;
- LI_PCD: Pessoas com deficiência (PcD), sem critério de renda;
- LI_EP: Estudantes de escolas públicas do campo, sem critério de renda.
Somente após o esgotamento dessas categorias as vagas serão direcionadas para a
Ampla Concorrência.
3. Preenchimento de vagas remanescentes
Para as vagas ociosas por desistência ou falta de matrícula (vagas remanescentes), o
MEC instituiu uma nova etapa. Anteriormente, estas vagas eram geridas por
processos seletivos internos das universidades. Agora, elas serão lançadas em um
novo edital, com prazos e regras específicas para os candidatos que fizeram a edição
mais recente do Sisu. Essas vagas também são submetidas à ordem de prioridade
das cotas.

Quais os maiores impactos dessas mudanças?
Os impactos dessas alterações têm gerado intenso debate entre estudantes e
especialistas.
Aumento da nota de corte: A principal preocupação é que a permissão para usar a
melhor nota de três edições elevará as notas de corte de muitos cursos, tornando o
processo seletivo mais concorrido, já que os candidatos só precisarão de uma média
alta em um dos exames para concorrer nos próximos anos.
Saturação de vagas: Outra consequência levantada é a potencial saturação das
vagas por candidatos que já ingressaram. Um candidato que obteve uma média
elevada, mas desistiu de um curso, pode usar a mesma nota nos próximos dois anos
para tentar uma nova formação, garantindo o ingresso até três vezes com uma única
prova de sucesso e, teoricamente, “tirando” a vaga de candidatos iniciantes.
Desvantagem para recém-formados: Os recém-formados no Ensino Médio, que
prestam o ENEM pela primeira vez, são considerados os mais prejudicados, pois
concorrem com apenas uma nota contra candidatos que podem utilizar a melhor
média de até três tentativas anteriores.

A visão dos especialistas do Curso Interseção e a reação dos estudantes
O novo formato traz mais flexibilidade ou dificulta a disputa?
De acordo com André Corrêa, Professor de Inglês e especialista em processos
seletivos:
“Na minha avaliação, isso acaba tornando o processo injusto. O aluno que está se
candidatando pela primeira vez só tem uma nota para concorrer, enquanto os alunos
de anos anteriores, que podem ter feito uma prova mais fácil, usam essa nota e
acabam acessando a vaga. Nesse sentido, a competição se torna mais acirrada,
principalmente na faixa de pontuação média. A mudança não afeta tanto quem tem
uma média muito alta, mas sim aqueles com uma média mediana. É com esse grupo
que o recém-formado estará competindo, e ele já perdeu a oportunidade
anteriormente.”
Abaixo-assinado contra as mudanças
Em resposta às alterações, muitos estudantes usaram as redes sociais para criticar a
nova atualização e lançaram um abaixo-assinado online, que já conta com milhares
de adesões. O texto da petição classifica as alterações como “injustas e elitistas”,
argumentando que elas beneficiam candidatos que tiveram a condição de prestar o
exame mais de uma vez, em detrimento de iniciantes e outros que não tiveram a
mesma oportunidade.
O texto sugere reverter a proposta do MEC a fim de “preservar uma concorrência mais
equitativa”, sinalizando a importância de uma disputa mais justa com condições
semelhantes entre os candidatos.
Por sua vez, o MEC defende que a mudança propicia um melhor aproveitamento das
notas, aumentando as chances de aprovação nas faculdades, já que a melhor média
dos últimos três anos será validada.
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